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Lufthansa mantém interesse na privatização da TAP apesar da crise no Médio Oriente

Homem e mulher em fatos apertam as mãos junto a maquetes de aviões numa sala com vista para o aeroporto.

Interesse da Lufthansa na privatização da TAP

A Lufthansa mantém-se interessada na privatização da TAP, mesmo num contexto em que a crise no Médio Oriente está a pressionar os custos do combustível, sustentando que a companhia portuguesa ajudaria o grupo alemão a ganhar força na América do Sul.

“O nosso interesse na TAP não mudou”, afirmou o presidente executivo do grupo, Carsten Spohr, numa conferência telefónica com jornalistas a propósito dos resultados do primeiro trimestre.

Confrontado com a possibilidade de a crise no Médio Oriente influenciar o processo de privatização da transportadora portuguesa, o gestor considerou que os mercados do hemisfério sul estão a tornar-se cada vez mais relevantes para a estratégia do grupo.

“No que diz respeito à América do Sul, acreditamos que estaríamos numa posição ideal com a TAP”, disse Spohr, lembrando que a Lufthansa é atualmente “o menor dos grupos europeus” naquela região.

Segundo o presidente executivo, a integração da TAP permitiria à Lufthansa ficar “ao nível dos outros” grupos europeus na América do Sul, com destaque para o Brasil, onde entende que a combinação das marcas Swiss, Lufthansa e TAP colocaria o grupo numa “uma posição muito forte”.

Portugal no plano do grupo Lufthansa

Carsten Spohr frisou também que Portugal é encarado como um parceiro importante para a Lufthansa no setor da aviação, e não apenas por causa da TAP.

“É importante saber que, no que diz respeito a Portugal na aviação, não estamos a olhar apenas para a TAP”, afirmou, apontando que o grupo está “prestes a abrir” uma fábrica de componentes da Lufthansa Technik em Santa Maria da Feira e que procura igualmente um local para instalar uma escola de aviação destinada à Força Aérea alemã e a membros da NATO.

O responsável mencionou ainda uma conversa recente, em Lisboa, entre o chanceler alemão e o primeiro-ministro português, centrada no potencial das relações entre Portugal e a Alemanha.

Além disso, sublinhou que a crise em curso “não vai durar para sempre” e que a orientação estratégica e as prioridades do grupo já estão definidas.

Próximos passos na operação com a TAP

O presidente executivo recordou que a Lufthansa já formalizou o seu interesse na TAP através de uma proposta não vinculativa e confirmou a intenção de continuar no processo. “Daremos o próximo passo. Fomos convidados a apresentar uma proposta vinculativa. E aguardamos com expectativa a próxima fase e os próximos passos que temos agora pela frente”, afirmou.

Resultados do primeiro trimestre e efeito da crise no Médio Oriente

As declarações surgiram no mesmo dia em que a Lufthansa divulgou as contas do primeiro trimestre, período em que reduziu os prejuízos e manteve as perspetivas anuais, apesar do efeito da crise no Médio Oriente no custo do combustível.

Entre janeiro e março, o grupo alemão registou um prejuízo líquido de 665 milhões de euros, inferior às perdas de 885 milhões apuradas no mesmo intervalo do ano passado.

Ainda assim, a Lufthansa avisou que o encerramento do Estreito de Ormuz está a gerar escassez no fornecimento de querosene e uma subida acentuada dos preços, com custos adicionais estimados em 1,7 mil milhões de euros em 2026.

Apesar do aumento das incertezas, o grupo manteve a projeção de, em 2026, atingir um resultado operacional ajustado significativamente acima dos 1.960 milhões de euros registados no ano anterior.

Corrida à privatização e condições definidas pelo Governo

Lufthansa e Air France-KLM são, neste momento, as duas interessadas na privatização da TAP, depois de a IAG, proprietária da Iberia e da British Airways, não ter apresentado proposta.

O Governo pretende alienar até 49,9% do capital da companhia, sendo 44,9% destinados a um investidor de referência e até 5% reservados a trabalhadores, num processo em que serão avaliados o preço, o plano industrial, a conectividade e a capacidade financeira do comprador.

O executivo aponta para a conclusão da alienação ainda este ano, admitindo levar a decisão sobre o comprador a Conselho de Ministros no final de agosto.

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