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Estudo sugere que distribuir passageiros idosos melhora a evacuação num Airbus A320

Funcionário do aeroporto observa passageiros a desembarcar de avião, incluindo pessoa em cadeira de rodas.

Voar já é, por si só, o meio de transporte mais seguro - e continua a tornar-se ainda mais seguro -, mas um novo estudo aponta uma medida adicional que as companhias aéreas poderiam considerar para reforçar a protecção dos passageiros.

Segundo a investigação, uma das formas mais eficazes de acelerar uma evacuação passa por colocar pessoas idosas de forma estratégica ao longo da cabine, em vez de as concentrar num único local.

Norma dos 90 segundos da FAA e o que fica fora dos testes

Uma evacuação é algo que qualquer viajante teme, mas, quando é mesmo necessário abandonar um avião, a Federal Aviation Administration (FAA) dos EUA estabelece um tempo de referência: 90 segundos para os passageiros saírem da aeronave e chegarem ao solo.

Este parâmetro foi definido com base em simulações controladas. Ainda assim, não espelha totalmente as condições do mundo real, onde se juntam o caos próprio de uma emergência e a diversidade de perfis num voo comercial.

Por exemplo, pessoas mais velhas têm maior probabilidade de apresentar limitações de mobilidade, destreza ou cognição.

EVAC Act, condições reais de cabine e envelhecimento da população

Neste contexto, em dezembro de 2022 foi apresentado o Emergency Vacating of Aircraft Cabin (EVAC) Act, que defende a revisão das regras de evacuação para que considerem condições realistas dentro da cabine - incluindo menor espaço entre filas, corredores mais estreitos, passageiros envelhecidos e pessoas com mobilidade reduzida.

A necessidade de actualizar orientações tende a crescer à medida que a população mundial envelhece. A idade mediana global deverá subir de 31 para 36 até 2050, e o número de pessoas idosas continua a aumentar.

Isto torna cada vez mais relevante reavaliar protocolos de evacuação, inclusive explorando formas concretas de distribuir os passageiros pela aeronave para responder a emergências - como um incêndio em dois motores, uma das situações mais perigosas na aviação, que pode ser desencadeada por colisões com aves, falhas no sistema de combustível ou aterragens bruscas.

Simulações de evacuação num Airbus A320 com incêndio em dois motores

"While a dual-engine fire scenario is statistically rare, it falls under the broader category of dual-engine failures and critical emergencies in aviation," explica Chenyang (Luca) Zhang, neurocientista especializado em factores humanos na aviação na University of Calgary, no Canada.

"History has shown that dual-engine failures and emergencies, such as the famous 'Miracle on the Hudson' involving Captain Sullenberger, can happen and lead to severe consequences."

A pensar em melhorar a segurança aérea, os investigadores simularam inúmeros cenários de evacuação perante um incêndio em dois motores a bordo de um Airbus A320 - uma condição que impede o uso das saídas sobre as asas, obrigando os passageiros a deslocarem-se para as saídas dianteiras e traseiras.

Com base nas dimensões de um Airbus A320, foram construídos três esquemas de lugares com capacidade até 180 passageiros, e estimados os tempos de evacuação em função do tipo de passageiros presentes e da localização onde estavam sentados.

Os modelos incluíram homens e mulheres (que, em média, diferem ligeiramente em altura e velocidade de marcha), divididos entre pessoas com mais de 60 (classificadas como idosas) e com menos de 60.

Tempos obtidos: 141 segundos vs. 218.5 segundos

Entre os 27 cenários de evacuação resultantes, o tempo mais rápido foi de 141 segundos. Esse resultado surgiu num plano de voo com a menor percentagem de pessoas idosas (20 percent dos passageiros) e quando essas pessoas idosas estavam distribuídas de forma uniforme em lugares próximos das saídas.

Em sentido oposto, os autores registaram que "the longest time was observed when a high proportion of elderly passengers was present, even when they were positioned near exits", o que levou a um tempo de 218.5 segundos.

Se estes resultados parecem intuitivos, é precisamente esse o alerta: com o envelhecimento global, aumenta estatisticamente a probabilidade de voos com maior predominância de pessoas idosas, o que exige estratégias de segurança mais ajustadas.

"We hope these findings help airlines proactively mitigate risks," disse Zhang.

"By understanding how passenger distribution affects evacuation, airlines could potentially implement more strategic seating arrangements to optimize safety without compromising operational efficiency."

Esta investigação foi publicada na AIP Advances.

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