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Mais de um milhão de fiéis no Santuário em quatro meses. Grupos estrangeiros são quase o triplo dos portugueses.

Grupo de pessoas em vigília com velas acesas à frente de um edifício histórico ao entardecer.

Quarenta e cinco anos depois do atentado contra o Papa João Paulo II, na Praça de S. Pedro, no Vaticano, a eucaristia desta quarta-feira, às 10 horas, em Fátima, será celebrada por D. Rui Valério, patriarca de Lisboa, utilizando o cálice que o então Sumo Pontífice ofereceu numa das visitas que realizou ao Santuário. O anúncio foi feito esta terça-feira pelo reitor, Carlos Cabecinhas.

Entre 1 de janeiro e 11 de maio deste ano - pouco mais de quatro meses - passaram pelas celebrações no recinto 1,1 milhões de peregrinos (1 112 762), o que representa mais 11.552 do que no mesmo intervalo do ano passado. Para o responsável, este aumento acompanha uma procura que tem vindo a crescer fora das grandes peregrinações. Na terça-feira à noite, a Procissão das Velas reuniu 250 mil pessoas, incluindo muitos peregrinos que fizeram parte do percurso pelo país a pé, rumo ao 13 de maio.

Carlos Cabecinhas assegurou ainda que o fluxo de peregrinos não chegou a parar, mesmo nos dias que se seguiram à tempestade Kristin, na madrugada de 28 de janeiro, que provocou "danos severos" em edifícios, no património natural do recinto de oração, nas zonas envolventes e em Valinhos - embora a afluência tenha diminuído. Sobre este episódio, D. José Ornelas, bispo de Leiria/Fátima, salientou a "grandíssima vaga de vento de solidariedade de todo o país e também do estrangeiro".

No mesmo período, o Santuário recebeu 1314 grupos, um total ligeiramente inferior ao registado no mesmo intervalo de 2025, apesar de terem estado em Fátima mais fiéis. A maioria dos grupos (979) veio do estrangeiro - sobretudo de Espanha, Polónia, Estados Unidos, Itália e Coreia do Sul -, quase o triplo dos portugueses (335). O reitor referiu também um ligeiro aumento de peregrinos oriundos do Brasil, onde "a devoção a Nossa Senhora de Fátima continua a registar um grande crescimento", sublinhando, por isso, o peso da transmissão em linha da mensagem de Fátima.

Procissão das velas diária

O reitor recordou que, em fevereiro do ano passado, o terço seguido da procissão das velas passou a integrar o programa diário do Santuário, devido à inscrição de grupos ao longo de todo o ano, inclusive nos meses de inverno. Esta prática só é suspensa quando o estado do tempo não o permite. Nesse enquadramento, Carlos Cabecinhas disse esperar que, em 2026, a afluência de peregrinos seja semelhante à verificada nos anos anteriores.

D. Rui Valério partilhou que a avó presenciou o "bailar do sol" a 13 de outubro de 1917. "A imagem da aparição ocorreu num contexto de muita pobreza. Não era um centro do ponto de vista político, social ou académico relevante, mas foi o último destinatário de uma mensagem", realçou. "Fátima está associada a uma forma de viver a espiritualidade do quotidiano, a penitência e o jejum. São práticas oferecidas por Nossa Senhora aos Pastorinhos e à humanidade. Posso fazê-lo em casa ou a caminhar. A fé é trazida para o quotidiano."

Para o patriarca de Lisboa, "Quem vem a Fátima não traz apenas intenções pessoais. Cada peregrino traz intenções que transcendem o seu eu, traz as urgências do Mundo inteiro". E precisou: "O Mundo é palco de guerras e o nosso coração volta-se novamente para o caminho da oração e para um certo crescimento espiritual, para alcançar a paz". "É muito mais do que a não guerra".

Patriarca defende aumento de salários

Na terça-feira, D. Rui Valério afirmou não entender por que razão um trabalhador português não aufere o mesmo nível salarial que um mecânico ou um pedreiro em Espanha, França ou Alemanha, países em que o custo de vida é semelhante. "É um dos grandes mistérios para mim, mas tenho a expectativa que a lei laboral venha a responder a essa situação", disse. Confiante de que se possa chegar a um entendimento, considerou que "o país está um pouco estagnado" e defendeu um acordo global para enfrentar os problemas, tendo em conta a crise no horizonte.

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Novas árvores
Depois da passagem da tempestade Kristin, o Santuário substituiu os cedros que caíram por 40 árvores de outra espécie, que assegura sombra no verão. Para diminuir os obstáculos, em vez de duas filas, ficará apenas uma fila de árvores.

Piso e iluminação
O Santuário procedeu também à reposição integral dos pavimentos de calçada, para corrigir desnivelamentos, reforçou a iluminação na zona intervencionada e encontra-se a reformular as rampas destinadas a pessoas com mobilidade reduzida.

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